sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Santos e perfeitos

“Eu sou o Senhor teu Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito“
( Gn. 17.1b)
Quando Deus estava prestes a fazer uma aliança com Abrão e mudar o seu nome Ele deu essa ordem.
“Eu sou o Senhor teu Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito“
O “andar diante” denota serviço a um rei.
Os reis de Israel eram ordenados a “andar diante” do seu soberano maior, o Senhor.
Era Possível que esses reis exigissem a mesma coisa de seus servos.
Mas a palavra chave aqui e a que chama a atenção é “perfeito”.
Sê perfeito.
Que ironia.
Já havia postado anteriormente que, todos nós somos imperfeitos, pecadores e que, todo nosso esforço para nos tornarmos santos seria frustrado.
Agora Deus vem e diz a Abrão para ele ser perfeito. Logo numa época em que o sacrifício de qualquer espécie não era perfeito.
Por quê?
Adiante você vê que Deus dá uma série de ordens a Abrão em troca de promessas feitas.
Abrão nunca conseguiria “ser perfeito”.
Nem ele nem ninguém do antigo testamento.
A história da aliança em geral demonstra a incapacidade humana em obedecer aos requerimentos pactuais.
Mas Deus permaneceria e permanece fiel.
A aliança existe até hoje.
Para mim e para você.
A aliança é perpétua.
Jesus Cristo cumpre cada condição dela. (2 Co 1.20; Ef 2. 12-13)
O problema é que nós não conseguimos cumprir.
Nem ao menos o que está ao nosso alcance.
E sempre damos a mesma desculpa.
Não somos perfeitos.
Isso é verdade.
Não somos perfeitos mesmo.
Mas Deus nos chamou para sermos perfeitos.
Se ele nos chamou então é possível.
O livro de números capítulo 21.4 conta que o povo de Israel em uma de suas inúmeras murmurações questionou Deus e a Moizés por estar no deserto. Deus então mandou serpentes que mordiam o povo, e morreram muitos. Moizés então pediu perdão e orou pelo povo. Deus pediu a ele que fizesse uma serpente de bronze e a colocasse numa haste. E toda pessoa que era mordida, olhava para cobra de bronze e sarava.
Aí está o segredo para sermos perfeitos.
Olhar para Jesus.
Olhar para sua palavra.
Nós estamos mordidos pelo pecado?
Estamos mordidos pelos vícios?
Estamos mordidos por esse mundo e suas paixões?
Estamos mordidos pela religiosidade e doutrinas criadas por homens?
Olhemos para Jesus em sua palavra.
Leia o livro de Levítico.
Deus ordena várias vezes para o povo ser santo porque ele é santo.
A palavra de Deus nos santifica.
Quando os nossos olhos estão em Jesus e na sua palavra, nós somos santos.
Quando nós andamos continuamente meditando e confrontado nossas atitudes com a palavra, nós somos perfeitos.
Mas quando nos distraímos, somos mordidos, aí deixamos de ser santos, deixamos de ser perfeitos.
Daniel orava três vezes ao dia.
Orava continuamente.
Nosso estilo de vida é esse.
De adorador.
No trabalho, na escola, na faculdade, em casa, na igreja.
Tudo em dependência de Deus e seu espírito.
Não depender de regras, doutrinas e invenções humanas para ser santo.
Depender do Espírito santo.
É ele quem nos orienta.
Nós podemos criar inúmeras regras para sermos santos.
Vai ser em vão.
Nunca vamos ter intimidade e experiência com o Espírito Santo.
Nunca vamos crescer espiritualmente.
Vamos sempre depender de nossos líderes para nos orientar.
E corrermos o risco de sermos mal orientado.
Nossos líderes aconselham.
Mas, se os nossos olhos estiverem em Jesus Cristo e na sua palavra saberemos se o conselho é válido ou não. Como os crentes de beréia.
O Espírito Santo nos guia.
O Espírito Santo nos orienta.
Dentro de nós e através da palavra.
Decida ser santo.
Decida ser perfeito.



Lee Rocha

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dependência de Deus ou dependência do pecado?

Nós somos pecadores?

Nós somos santos?

A bíblia fala que todos pecaram.

Todos.

Nascemos pecadores e ficamos pecadores até conhecer Jesus.

Daí o processo de santificação.

A garantia que de que somos livres do pecado é o sacrifício de Jesus.

Isto é exercer a fé.

Vida com Deus é pratica da fé.

Posso decidir não pecar mais e viver o verdadeiro arrependimento. Mas todas as minhas pretensões serão frustradas se eu não viver uma vida de dependência de Deus.

Nosso problema é que decidimos não pecar. Mas não decidimos depender de Deus.

Às vezes nem sabemos depender de Deus.

E é isso que precisamos para sermos verdadeiramente livres do pecado.

Todos os nossos esforços para sermos libertos dos vícios do velho homem serão em vão se não soubermos viver uma vida de dependência de Deus.

Dependência total e não parcial de todas as áreas de nossas vidas.


Lee Rocha

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O rei Davi e a Garota da laje.

O quê? Gritou enfurecido o rei, diante da corajosa mas desaconselhável afirmação do profeta que, sem esperar tal reação, continuou a acusação em forma de parábola, buscando talvez, amenizar um pouco a árdua tarefa que, segundo afirmou depois (já sem os dentes e numa cela do palácio real), fora Deus quem o enviara a tal difícil tarefa.

O pobre homem viera, cheio de boas intenções, mas sem muito cuidado, como aliás convém a quem vai confrontar um soberano ou a um forasteiro em baile de garimpo.

Sabes quem sou eu? Esbravejou o Rei Davi, atirando pra tudo que é lado o que estava sobre a mesa real.

Sou o ungido do Senhor e tu tens idéia do que isso significa? Sou o escolhido, o eleito, o preferido dos céus, o primeiro da nação, rasgando as vestes – não as suas, mas a do profeta, encolhido e nesse momento, suando mais que tampa de marmita.

Sabe isso, seu verme, diante das escolhas erradas do meu antecessor, Saul, nunca fui capaz de dirigir-lhe uma só palavra de acusação e tu, um profetazinho meia-boca, vens insinuar que eu cometi adultério com a mulher daquele infeliz, o Urias, um soldado abestado que nem batalhar soube e agora vens culpar-me pela sua morte?

Naquela altura, até os gatos que jaziam sonolentos como de costume no salão real, haviam desaparecido pela janela a fora e os serviçais todos já leiloavam o melhor lugar para ouvir – ainda que de longe – o arranca-rabo.

Eu sou o Rei de Israel, lembras, ó verme? Eu sou o maior aqui e não foste tu ou outro mortal que me pôs em tão grande posição, espumava o enfurecido monarca judeu, ex-pastor de ovelhas, filho de Jessé.

Quantas pessoas tu lideras? Quantas batalhas já venceste, seu religioso de merda! Onde estavas quando eu venci o gigante Golias? Quantos ursos ou quantos leões já mataste segurando-os pela barba? Lembra-te de Mical, a que me desprezou e ficou estéril? Pois é isso o que acontece aos que ousam me criticar ou oporem-se a mim!

“Foi com Deus”, quase surrurrou Natan, emendando: “Ela ofendeu a Deus!”, encolhido diante da ira de Davi!

O quê? Deeeeeuuussss? Berrou o rei! Saiba que EU, eu fui o ofendido e um dos sinais da minha unção, é que não passa batido nenhuma ofensa à minha pessoa! É isso o que acontece a quem me desafia!

Todo mundo já conhecia o boato em Jerusalém, que o rei havia pulado a cerca real e papado a mulher do vizinho – a bela Beth-Seba (conhecida também por Betinha, a “garota da laje”, pelo seu hábito, comum na época, de bronzear-se sobre o telhado da casa).

Para piorar o bafafá, jurava a dona Nadir, filha de Zebedeu de Cafarnaum, filho de Otonielson, a copeira real, que a dita Betinha, que caíra na maldosa boca do povo até já estava à espera de um filho, fruto da traição.

Muitos, é claro, apesar de adorar um babado dos grossos como esse, não confiavam muito em toda a história, posto que a fonte da informação já de muito, tinha o hábito de divulgar “off record”, boatos sobre a vida privada e nada honrada de Davi. Mesmo com a grande probabilidade de isso ser verdade (a intimidade do sujeito era um desastre), o risco era grande. Podia- ser preso, perder-se a cidadania e, banido do reino. Ou coisa pior podia vir sobre o desafeto da casa real – desaparecer em algum “acidente inexplicável”, afinal, Davi era tido e sabido como “o ungido do Senhor”, o soberano Rei sobre o destino de tudo e de todos.

Como não tinham ainda inventado as mini câmeras escondidas dos programas da Rede Globo e não existiam paredes seguras o bastante para impedir ouvidos bisbilhoteiros, a história, ou boato, vazou. E a coisa fedeu pneu queimado!

O Globo de Sião e O Shofar Popular, foram os primeiros a estampar em primeira página o sucedido todo em minúcias. Foi o caos completo!

Imediatamente, correram os marketeiros de plantão e o porta-voz do palácio a desmentir tudo. Aquilo era, segundo eles, mais um ataque dos inimigos de Deus e do Reino. Pura campanha de discriminação. Coisa de perseguição. Agentes dos que queriam derrubar Israel e o povo de Deus, anti-sionistas sórdidos.

O povo se dividiu.

Uns tatuavam nos braços – “Davi é o meu Rei e ninguém tasca”, “Israel até morrer” e, como era de se esperar, até um bem sucedido comércio surgiu: de auto-colantes, camisetas e bandeiras com as frases, a trazer lucro a alguém.

Outros, no lado oposto, proclamavam em alta voz fazendo referência às Escrituras que condenavam todo o sórdido ocorrido e o Rei pecador, a agir como um amalequita qualquer, inimigo do Senhor e da Sua lei, mas eram minoria e ninguém lhes deu crédito.

Beth-Seba, nessa altura, já legítima esposa do Rei, vem a público declarar: “Vocês não sabem com quem estão mexendo. A vingança virá e não só das nossas mãos”, tentando pressionar a imprensa que, desde aquela época, já era cheia de infiéis ateus e zombadores das ameaças divinas.

Para encurtar o caso, de Natan, pobre homem piedoso, nunca mais se soube.

Nunca mais foi visto no templo ou nas celebrações oficiais.

Correu um boato, sem confirmação, que acabou como vendedor de rua na Babilônia ou amparado em casa de alguns piedosos exilados no Egito, onde terá sido visto da última vez que dele se teve notícia.

Do filho da pobre e mal-afamada união, apesar de toda a versão oficial de que “o inferno não iria pôr-lhe a mão”, também nunca mais se falou.

É certo que, Suzi Salomé, filha de dona Nadir, filha de Gamaliel, filho de Darcilei, o hitita, uma garota que muitos acusavam de “prestar serviços obscuros” ao rei, sempre acostumado a atos secretos, e que obviamente não era lá de se confiar, chegou a jurar de pé junto, pouco tempo depois, que a pobre criança afinal morrera de uma enfermidade nova, trazida pelos porcos ou pelos mexicanos, ninguém sabe ao certo, nos braços do pai desesperado.

Séculos depois, a triste descendência de Davi, cheia de atropelos, vem afinal sucumbir por completo, quando o último dessa linhagem controversa, Genésio, filho de um carpinteiro, irmão de Tiago, que morreu de cirrose hepática e de outro, que morreu na cadeia por tráfico de pães asmos alucinógenos, vem também a morrer, pregado em dívidas de jogo, num fim de semana de Páscoa.

Eu vou parando por aqui.

Como bom judeu esse cronista, deixa aqui o seu testemunho sem mais detalhes e vai atrás do seu jornal e de umas ofertas pelo seu pecado – e correndo - pois hoje é Sábado e tudo fecha em Jerusalém.



Rubinho Pirola